Mas na família, existe uma idosa com câncer terminal. Todos a ama, todos a quê. Então, a família nobre distribui palavras. A maioria esquece que palavras só são fortes nos atributo de seus atos.
Começo pela filha e os netos. A idosa não pode estar lá junto deles porque não poderá ser atendida pelos seus. O que adiantou uma vida de atenção e amor de uma idosa?A idosa só precisa ter saúde para melhor servir seus netos e sua filha.
Passa dia, um elemento não quer a idosa em sua casa. Alguns empurram para cá. Outros empurram para lá. Foi então que um deles deu a ideia de pôr-la em uma casa desativada ao fundo do quintal. Mas sobe um medo, e quando ela passar mal?Quem cuidará dela?É como se a velha tivesse uma doença contagiosa.
É claro, os netos são ocupados e estudiosos não possuem tempo. As meninas precisam de concentração para os concursos, não podem escutar gemidos e toses. Isso atrapalha.
De uma casa com espaço, logo se torna pequena. A idosa não tem chão. Não há rumo. Mas todos a ama.
Ama. Todos a querem de ama. Agora ela não pode mais. O que se pode fazer: uma esmola daqui, outra ali. A filha com algumas cenas de assistencialismo. Que tel levar mamãe para o hospital de carro?Mas é cansativo, a filhinha não é compreendida existem tantas tarefas para se realizar. Tarefas de se ter mais dinheiro.
Talvez num domingo qualquer. SANTO DIA, Deus resolve descansar. Eles vão à missa. Depois, vão mostrar o amor das aves. Uma piadinha daqui, outro rancor de lá, uma fofoquinha daqui, e depois vão pousar para uma foto. Um exibe sua roupa daqui, outro mostra a carteira de lá, a filha com seus carros, o menino médico, a menina passou nos concursos, o rapaz é um jogador famoso. E a velha?
O cacareco tá lá, apenas aguardando o momento e guarda com unhas e dentes o pouco que tem. Com sua força viril, materialista e egoísta: ela sempre mantém umas economias escondidas pelos colchões. Ajuntando traça por traça, ela que passa a mão enrugada nos olhos lagrimejentos. Entoa cânticos e suas novenas. Quem sabe ela pode ser curada?Mas não é só ela a doente.
De pouco a pouco, foram esquecendo a velha. Ninguém mais liga ninguém mais diz. Os netos?A idosa os ama. De manhã na missa, o padre diz o sermão: amei o próximo como a ti mesmo. E a família fecha os olhos e contempla os céus.
A velha sem asilo, sem amor foi de vez esquecida. Afinal de contas, para a sociedade só tem valor aqueles que trabalham. ahh... De vez enquanto liga um neto, pois a velha caco ainda tem uma aposentadoria. E para a maioria, o valor é associado ao ter.
O tempo só se faz em passar, as visitas diminuem, as festas não fazem barulho, as cervejas e os fumos. Todos esperam por esse momento. A velha ficará só, fraca, com dores fortes, reclamará mais uma vez da vida. Por fim, gemera. Suspiro. Fim.
Lá no sepulcro, irão derramar lágrimas e irão dizer frases de uma bíblia. E Jesus vai ser lembrado, e só nessas horas que ele aparece, né?Escreveram uma frase clichê, irão por uma foto sobre um quadro na parede. A sagrada família, e para sempre Jazira.
Chega um tempo, que o céu fecha as portas, sentimentos nada dizem, as coquistas se perdem e não há mais sentido em estátuas e roupas. A incapacidade existe para um ser do mesmo sangue, não quero nem pensar para os estranhos. Desconhecidos. Vemos não só uma velha doente, mas uma família, uma sociedade com falsos retratos e vaga moralidade.
A doença aumenta sustentada pela maior epidemia do egoísmo. Camuflada pelo puritanismo, pela intolerância e indiferença. Finalmente a doença se espalha, destrói células, causa rancores e tumores.Esses que vão apagando os filamentos de amor. E para que tantos valores?Se Chega um ponto que toda família apodrece.

A obra Um quadro de uma família nobre. de Vinícius Luiz foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.
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