Todo dia nos vem na mente essas perguntas: Como começar alguma coisa? Como vou dizer isso? Como vou chegar lá naquele sonho? Como será meu dia? Como e como...
Estamos tão preocupados com respostas e nem se damos conta de como é importante o nada. O vazio de uma pergunta. O silêncio. A espera de um tempo.
Tenho muitas súbitas vontades em mim, entre elas, vontade de sentir uma pausa. E se a gente pudesse ter um controle remoto na mão e apertar no pause. Como seria bom né? Vê aquelas caras de reclamações pausadas, cartas não respondidas, trabalhos inacabados, frases interrompidas- quem sabe nas pausas poderemos decifra-las ? Telefonemas não atendidos, e por fim, o nosso maior fantasmas- o não fazer nada. Estaremos frente a frente com nossos medos e anseios sobre uma cratera de ociosidade. Enfim, afundamos na pausa.
Uma pausa não quer dizer morte. Assim como ela não significa nada. Uma pausa carrega algum significado e talvez seja o silêncio. E não acredito que a pausa seja o vazio, porque mesmo sendo a ausência de alguma coisa, dentro daquela falta existe uma completude. Uma parte a ser preenchida que ali vive. Afinal, a pausa sempre está presente na vida só não damos conta dela. A música é feita de pausas, na teoria musical temos uma partitura com suas marcas de Semibreve, mínima, semínima, colcheia, semicolcheia e a fusa. Assim como o autoconhecimento era dado pelo entendimento do silêncio para os mais antigos sábios. A questão da meditação e tantos outros modos de refletir. Reparamos a natureza que só sabe trabalhar no silêncio e é tão perfeita e harmônica. E sem contar as pausas mais próximas, a pausa de pensar o que vamos fazer para solucionar aquele enorme problema. A pausa de não saber o que falar quando se está totalmente perdido de amor por alguém. A pausa de não saber o que dizer diante de um pranto e lágrimas. A pausa de raiva e da dor. A pausa para dormir e logo vem à noite vestida de pausas e tão poética. É bem notório que o silêncio diz muito mais que as palavras.
Tem muita gente que tem medo de silêncio. Acho isso interessante, por que sempre acreditei que esse tipo de humano tem medo de si próprio. E disso nunca tive medo e exatamente disso que necessito muito nesse momento. Pois, o silêncio é uma abertura para o pensamento, para mergulhar no próprio interior e conhecer a si mesmo. Sempre é necessária a saída de um mundo turbulento lá de fora para um mundo particular ainda a ser descoberto.
Quando a vida se repete e mal você tem tempo de analisar seus atos. Todos nos sabemos o quanto o mundo gira numa velocidade absurda e tanta informação que é jogada. E você abre o jornal e vê sempre notícias desagradáveis. Logo então você abre uma página na internet e também vê tantas coisas iguais e repedidas. E tanto barulho feito em troco de que afinal? O que vamos ganhar com essas festas e gritos? Preciso noticiar meus atos como berros a todo o momento? Acho que a natureza diz a nós humanos para sentir mais as mínimas coisas que nos passa como um sopro. E eu sentado de frente a um computador só aprendendo a computar a dor, só vendo passar horas iguais, sem ser paciente, sem acrescentar os dias. E sabe quanto à única coisa que você quer é parar o tempo, mas a vida nunca há de fazer isso! Então, você tem necessidade de fazer mesmo que lute contra a maré dos mares?
E eu preciso muito de uma pausa. Refletir no que me tornei, será esse meu propósito? Será esse meu caminho? Minha necessidade de falar é essa? Quando se dá um tempo à vida, logo podemos notar que o que ela cortar tudo o que foi mal construído e implantado. Todas as relações, todos os ciclos e pegadas que não tiver raízes o tempo arranca, e é uma ilusão acreditar no tempo como costureiro. Tudo que fica foi porque se fincou nas profundezas da alma e nada pode tirar de lá. É preciso sentir isso nas pausas para enxergar o que nos tornamos e tentar regressar ao caminho de origem para se tornar o que sempre fomos.
Tudo é questão de pausa. Silêncio. As horas, entre o piscar dos olhos, os instantes, os momentos e o nascer de um novo dia. Pausa. Um ponto. Uma vírgula. Quando se chega nesse estado, acredito que estamos mais atentos aos sinais da alma, do próprio espírito e das coisas não vistas pelos olhos comuns.
Fico imaginando que os lugares mais sagrados são os de extremo silêncio. Quando se entra numa igreja, numa sinagoga ou um templo. Um cemitério. É que lá moram os que já aprenderam que os mistérios da vida devem ser deixados quietos no seu lugar. O silêncio é um mistério. E pensando bem, o silêncio é a coisa mais simples da vida. Quando se está nesse estado você está em comunhão com as coisas vivas e mais elementares do universo. Ser simples é funcionar como o silêncio.
Uma vez li um coisa que pode ter parecido um enorme bobagem mais nunca me esqueci disso. Que todos os dias existe uma hora mágica- um único instante em que podemos mudar tudo na vida. É como sempre não estamos dispostos há perceber esse instante e acreditamos que hoje será sempre igual a amanhã e vice e versa. Sempre muito atarefados e ocupados esquecemos de notá-los. Mas essas horas mágicas estão escondidas em pequenos instantes. Até nesse em que fincamos à chave a porta ao sair de casa, o movimento de abrir a porta do carro, um sorriso de um desconhecido, um momento totalmente lunático e até mesmo na hora de jantar. Os dias não são iguais para aqueles que conhecem os instantes mágicos! Dizem que essas horas mágicas são as que reservam os poderes das estrelas e dos astros e é possível concretizar até milagres. Pode ter parecido bobagem ler isso, mas me fez refletir. A vida está cheia de pausas, silêncios e momentos mágicos.
Achar esse momento de instante mágico é uma questão de pausa. Silêncio. Pois é necessário sentir a vida como um pulsar ardente e que acabou de nascer. Sentir o cheiro de sangue escarlate ainda doce. A felicidade é uma busca incessante, e estou muito disposto a ir sem ter hora para chegar. Vou à busca de um tesouro chamado hora mágica. Para alguns, uma lenda, para outros, bobagens. Para mim, apenas uma pausa. Pausar não é morrer, pelo contrário, é viver ainda mais. É necessário pausar para se sentir ainda vivo nesse mundo. E eu preciso dizer para mim mesmo. Sim, aqui ainda bate um coração. Sim, aqui ainda existe um sentimento. Sim, aqui ainda vive o amor.


A obra Entre as pausas da vida de Vinícius Luiz foi licenciada com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.
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