limpar o armário e as gavetas.
Amassar documentos e folhas esquecidas.
O jeito do vento desarrumar a ordem de mim,
de inventar novos degraus nos pensamentos,
de grão a grau nos traz bons ventos.
O jeito de passar o dedo no porta-retrato
fica o velho jeito de se apegar nesse não jeito.
O não esquecer que não se apaga
e essa vil tentativa de pega-pega desse invento.
Mas ficam os restos das folhas no quintal.
As linhas de tijolo das amarelinhas
Junto das silhuetas de um coração cravado na árvore.
Só resta no fundo o tempo rindo com deboche
da composição desses ventos.
O jeito de pensar no não feito que faz
o vento ir-me soprando dentro.

O trabalho O sopro de cada dia. de Vinícius Luiz foi licenciado com uma Licença Creative Commons - Atribuição - Uso Não Comercial - Partilha nos Mesmos Termos 3.0 Não Adaptada.
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