Geralmente, quando se toca nesse assunto metade sai da roda, e a outra meia dúzia de gatos pingados caem na mão aos berros. Mas não é esse meu propósito.
A palavra religião em sua origem etimológica significa “religar”. Isso já nos dar um rumo ao texto. O ser nasce desligado de alguma coisa que não sei o nome. Afinal, se soubesse não seria esse simples ”mortal”. O fato de sermos desligados buscamos uma nova integração. Então, faço uma analise de como a religião se encaixa nesse papel e sua importância na formação pessoal. Seja qual for o credo, ou até mesmo não o tendo já é uma forma de crer em alguma coisa. De qualquer forma temos todo algum em comum: acreditamos no inicio de algo que originou nossas existências.
A religião é erroneamente associada em nossos meios, e infelizmente acaba mostrando a linha tênue das nossas indiferenças e intolerâncias. Tentamos sempre convencer ou converter o outro as nossas crenças. Seja essa um estilo musical, um modo de literatura, o modo de se vestir, o comportamento alternativo. Nos não nos importamos com os sentimentos alheios, querendo ou não, o meio e a cultura estão entrelaçados na tentativa pessoal de religar. E a maioria despercebe e acaba desrespeitando. E assim aumenta o nível de desligamento.
Para mim, uma das frases mais sábias que já foi feita no mundo e dita pelos iniciados da filosofia na Grécia: “conhecer-te a ti mesmo, e verás a Deus.” Nos faz ter uma maior interpretação do nosso desligamento, e o quanto precisamos nos conhecer. E é tão simples.
Seja qual for o credo oriental ou ocidental sempre se tentou pregar uma mensagem: a verdade que liberta. E assim o ser tenta dar forma o contorno. Em toda a história evolutiva do homem percebe-se a tentativa de encontrar o deus- o teu deus. O homem das cavernas e suas pinturas- como explicar a chuva, o fogo sem a ciência? As civilizações- os astecas, os incas, os egípcios e os gregos com seu teatro. O ator que se transforma inteiramente através do êxtase ( sair de si.). Então, o métron (ultrapassar a medida) e híbris (medida dos deuses e dos homens). Os africanos ligados com seus orixás, os pagãos e o contato maior com a natureza. As inscrições nos templos como traduzidos “nada em excesso”- o equilíbrio entre o bem e o mal. A criação de vários deuses e a unificação de um só.
Apesar dos avanços tecnológicos e científicos, ainda existem muitas coisas que não podemos explicar. E outras que não podemos fazer. Aí entra a fé. Esse fundamento que nos faz ir além e ultrapassar as medidas e os limites. A religião é importante na vida da humanidade. Muitos atos e coisas que se dizia impossível foram feitas através da fé por grandes homens. Esquece-se de que coisas que são feitas para si mesmo morrem conosco, e coisas feitas para a humanidade se eterniza.
Por fim, o que quero dizer com tudo isso? O mais importante da religião é interação com o próximo. E a entrega ao mundo, e modo de não olhar mais para si mesmo. É doer com a dor do outro. A busca que é quase em volta, e acaba sendo. É Isso é comum a todos os credos: amor, a unidade, o doar-se, a renúncia. Mais ainda somos muitos desligados da caridade- o calar-se dos defeitos alheios, a capacidade de alteridade. E o deus mora nessas pequenas coisas.
O homem olha o mundo. E sempre busca resposta fora de si, mas não está lá. Talvez os orientais já entendam e praticam isso pela meditação. O desligar do mundo lá fora dos quês dos problemas, nossas dissoluções, nossos preconceito. Tudo isso está dentro de nos. Conhecer-te a ti mesmo... A verdade que liberta...
A questão não é se o deus pensa assim ou assado. Ou como o deus é ou como quer. E deus não está somente na chuva e nem no vento. Ele não está nos templos. Somos o templo. E o deus está dentro de nos, só esperando que nós possamos descobrir para fazer o ligamento desfeito.
Quando estamos bem conosco isso se reflete em volta e para todos. É dentro de nós que devemos buscar o deus. Então, passamos a nos entender e encontramos repostas dos quês internos, assim como descobrimos que há muito mais sentido nisso que chamamos de vida.

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